Batismo na Igreja Congregacional
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Batismo na Igreja Congregacional
Graça e Paz
Primeiramente quero parabenizá-lo por esta iniciativa! É muito oportuna pois revela um canal em que os cristãos podem tirar suas dúvidas e crescer no conhecimento da palavra de Deus! Que Deus te abençoe!
Gostaria saber qual o porquê da Igreja Congregacional batizar via aspersão, qual a base bíblica para este procedimento? O que há no estatuto das Igrejas Congregacionais sobre esse assunto? Há alguma obrigatoriedade para o batismo ser via aspersão? Ou proibição do batismo via imersão? Há Igrejas Congregacionais que batizam via imersão?
Abraço e que Deus te abençoe ricamente.
Atenciosamente,
Victor Melo.
Primeiramente quero parabenizá-lo por esta iniciativa! É muito oportuna pois revela um canal em que os cristãos podem tirar suas dúvidas e crescer no conhecimento da palavra de Deus! Que Deus te abençoe!
Gostaria saber qual o porquê da Igreja Congregacional batizar via aspersão, qual a base bíblica para este procedimento? O que há no estatuto das Igrejas Congregacionais sobre esse assunto? Há alguma obrigatoriedade para o batismo ser via aspersão? Ou proibição do batismo via imersão? Há Igrejas Congregacionais que batizam via imersão?
Abraço e que Deus te abençoe ricamente.
Atenciosamente,
Victor Melo.
Victor Melo- Número de Mensagens: 4
Idade: 22
Data de inscrição: 28/07/2008

Querido irmão Victor
Tentarei responder suas perguntas em dois momentos. Primeiro, sobre o modo de batismo praticado pelas igrejas congregacionais (UIECB). Depois, sobre as bases bíblicas que autenticam sua prática (aspersão).
Antes, porém, quero apenas deixar claro que este é o tipo de discussão (modo de batismo) que geralmente não me preocupa. Pois considero o modo de batismo de importância relativa. Não penso que a validade da ordenança se estabeleça pela quantidade de água ou o modo de sua administração. Hodge (De la insignia cristiana, 2001, pp. 9-10) nos leva a comparar o batismo com a outra ordenança de Cristo, a Ceia do Senhor. Qual o modo correto de se administrar a Ceia? Ela deve ser recebida em pé ou sentado, em círculo ou em fila? Deve-se administrá-la ao mesmo tempo em que se celebra a festa do amor, na casa de um enfermo, no hospital, no templo ou em casas? Qual a quantidade de vinho e de pão? Parece que não há um modo fixo (ou o único correto) para esta ordenança. Então, por que haveria um modo fixo ou único correto para o batismo? Devemos ainda lembrar que nos primórdios da igreja cristã a Ceia do Senhor era realizada durante um banquete (Festa do Amor). Era uma Ceia completa, a principal do dia. Não significava tomar um tiquinho de pão e um pouco de vinho. No entanto, isso é tudo o que fazemos.
Além do mais, há outra coisa que me intriga. Como administrar a Ceia do Senhor em alguns povos indígenas para os quais os elementos pão e vinho nada significam? (a maioria nunca viu pão ou vinho!) Seria razoável utilizar uma espécie de tapioca e um tipo de chá que para eles tenham o mesmo significado que o pão e o vinho possuem para nós? O valor do ato está nos elementos utilizados na simbologia ou naquilo que representa? Parece que temos um problema missiológico aqui.
O que quero dizer é que a forma nada é, mas o seu significado.
Entretanto, quando irmãos queridos (porém, equivocados) fazem do modo de batismo um motivo de separação eclesiástica e/ou desacreditam a aspersão como um modo válido, então, me animo a discutir.
Primeiro, quanto à prática aspersionista das igrejas congregacionais (UIECB).
O artigo 6º do capítulo 2 de nossa Constituição, que reza sobre os deveres da igreja associada, traz o seguinte texto no inciso V: “aceitar como ordenanças bíblicas o batismo com águas...” (grifo meu). No inciso seguinte lemos que se deve “administrar o batismo por aspersão em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, nas pessoas que declararem crer em nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (grifo meu). O texto faz eco aos artigos 24 e 25 de nossa síntese doutrinária (os 28 Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo), onde a expressão “batismo com água” se repete 3 vezes. A preposição “com” denota o modo de batismo que se tem em vista, ou seja, aspersão ou efusão. Na Assembléia Geral das igrejas da UIECB de 2005 foi proposta a alteração da expressão “com água” para a expressão “nas águas” com o intuito de mudar o modo de batismo para imersão. A proposta não passou.
Nossa declaração de fé mais antiga (The Savoy Declaration), tratando sobre o modo de batismo, diz: “Não é necessário imergir a pessoa na água, mas o batismo é corretamente administrado por efusão ou aspersão da água sobre o candidato” (Cap. 29, Art. 3 – tradução minha).
Por fim, temos uma palavra do Pr. Manoel da Silveira Porto Filho expondo alguns princípios congregacionalistas. Ele diz que “as igrejas congregacionais da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil, embora reconheçam a validade do batismo por imersão e por efusão, e recebam por transferência membros de outra igreja assim batizados, praticam, por motivo de ordem, a forma de batismo por aspersão” (Congregacionalismo brasileiro, 1997, p. 32 – grifo meu).
Portanto, as igrejas da UIECB podem receber membros de outras igrejas que tenham sido batizados por quaisquer dos três modos de batismo. No entanto, devem praticar somente a aspersão. Se há alguma igreja da União praticando o batismo por imersão, tal igreja está transgredindo nossa constituição e, portanto, passível de advertência.
Segundo, quanto às bases bíblicas que autenticam o batismo por aspersão.
Bem, colocando a questão de maneira negativa, a pergunta poderia ser feita da seguinte maneira: somente o batismo por imersão é biblicamente legitimado? A maioria dos batistas responderia: sim! (até com certo entusiasmo e paixão). No entanto, vejamos.
O mais importante argumento dos batistas para a imersão é o significado atribuído aos verbos ba,ptw e bapti,zw, como se sempre significassem imersão.
Esta afirmação é falsa in toto. Na verdade, este é um sentido absoluto e exclusivista dado por eles. A maioria dos léxicos reconhece que os vocábulos podem significar: “lavar”, “derramar sobre”, “limpar”, “tingir”, “imersão parcial”, “imersão total”, “aspersão”, “efusão”, etc. (como exemplo, confira Greek and English Lexicon of The New Testament, de Edward Robinson e Léxico do N. T. Grego/Português de Gingrich e Danker). Você pode encontrar uma excelente lista de exemplos bíblicos onde estes vocábulos são usados sem o significado de imersão total em Hodge (Teologia Sistemática, pp. 1410ss). Quero destacar apenas alguns:
Em Daniel 4.33 lemos que o corpo de Nabucodonosor “foi molhado (batizado, evba,fh, LXX, v. 30) com orvalho do céu”. Aqui a idéia de imersão é excluída totalmente.
Em Lv 14.6 lemos: “Tomará a ave viva, e o pau de cedro, e o estofo carmesim, e o hissopo e os molhará (ba,yei) no sangue da ave que foi imolada sobre as águas correntes”. A não ser que seja uma ave muito grande e gorda é impossível imergir tudo isso no sangue de uma única ave.
O povo foi batizado em Moisés na nuvem e no mar (1 Co 10.2). Como, se o povo passou a pé enxuto pelo mar e a nuvem mencionada refere-se à coluna de nuvem diurna e de fogo noturna que os guiava?
Nós fomos batizados pelo Espírito Santo (At 1.5; 2.3, 16-17; 10.44). Estamos imersos no Espírito? Ou o Espírito está imerso em nós? Esta idéia parece até bizarra.
Am Atos 2.41 lemos que três mil pessoas foram batizadas em um só dia em Jerusalém, na festa do Pentecoste, em junho; e em Atos 4.4 mais cinco mil homens receberam o mesmo rito. Neste período do ano há escassez de água em Jerusalém e nenhuma corrente de água em suas proximidades. O abastecimento de água vinha de cisternas e reservatórios públicos. Não é possível que houvesse água suficiente para imergir mais de oito mil pessoas nessas fontes. Parece que os apóstolos eram congregacionais.
Depois, as verdades do Evangelho e seus benefícios são universais – dirigem-se a todas as etnias. O fato é que a prática imersionista restringe injustificavelmente o número daqueles que podem ser batizados. Por exemplo, como batizar um enfermo que deseja o batismo e, no entanto, não pode levantar-se de seu leito? Como batizar por imersão os moradores da Groelândia? Eles seriam mortos naquelas águas gélidas. E os moradores de desertos? O batismo foi ordenado a todos. Não é possível que alguns sejam privados da ordenança de Cristo por conta de determinadas circunstâncias.
É importante lembrar que o batismo representa a obra do Espírito Santo. Na Bíblia há três símbolos para o Espírito Santo: o óleo, a água e o fogo. “De que modo estes símbolos eram aplicados? O óleo era derramado sobre a cabeça. A água, durante toda a dispensação judaica, era aspergida ou derramada, e o fogo desceu sobre a cabeça dos crentes” (J. B. Green).
“À luz de tudo isso, é evidente que a verdade simbolizada no batismo [não somente de morte e ressurreição em Jesus, mas também e, quiçá mais forte ainda, de purificação] pode ser representada pela imersão, pela efusão ou pela aspersão; porém a ordenança é mais significativa e mais conforme à Escritura quando aplicada a efusão ou aspersão” (Hodge, Sistemática, p. 1419).
Espero ter ajudado.
No amor de Cristo.
Antes, porém, quero apenas deixar claro que este é o tipo de discussão (modo de batismo) que geralmente não me preocupa. Pois considero o modo de batismo de importância relativa. Não penso que a validade da ordenança se estabeleça pela quantidade de água ou o modo de sua administração. Hodge (De la insignia cristiana, 2001, pp. 9-10) nos leva a comparar o batismo com a outra ordenança de Cristo, a Ceia do Senhor. Qual o modo correto de se administrar a Ceia? Ela deve ser recebida em pé ou sentado, em círculo ou em fila? Deve-se administrá-la ao mesmo tempo em que se celebra a festa do amor, na casa de um enfermo, no hospital, no templo ou em casas? Qual a quantidade de vinho e de pão? Parece que não há um modo fixo (ou o único correto) para esta ordenança. Então, por que haveria um modo fixo ou único correto para o batismo? Devemos ainda lembrar que nos primórdios da igreja cristã a Ceia do Senhor era realizada durante um banquete (Festa do Amor). Era uma Ceia completa, a principal do dia. Não significava tomar um tiquinho de pão e um pouco de vinho. No entanto, isso é tudo o que fazemos.
Além do mais, há outra coisa que me intriga. Como administrar a Ceia do Senhor em alguns povos indígenas para os quais os elementos pão e vinho nada significam? (a maioria nunca viu pão ou vinho!) Seria razoável utilizar uma espécie de tapioca e um tipo de chá que para eles tenham o mesmo significado que o pão e o vinho possuem para nós? O valor do ato está nos elementos utilizados na simbologia ou naquilo que representa? Parece que temos um problema missiológico aqui.
O que quero dizer é que a forma nada é, mas o seu significado.
Entretanto, quando irmãos queridos (porém, equivocados) fazem do modo de batismo um motivo de separação eclesiástica e/ou desacreditam a aspersão como um modo válido, então, me animo a discutir.
Primeiro, quanto à prática aspersionista das igrejas congregacionais (UIECB).
O artigo 6º do capítulo 2 de nossa Constituição, que reza sobre os deveres da igreja associada, traz o seguinte texto no inciso V: “aceitar como ordenanças bíblicas o batismo com águas...” (grifo meu). No inciso seguinte lemos que se deve “administrar o batismo por aspersão em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, nas pessoas que declararem crer em nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (grifo meu). O texto faz eco aos artigos 24 e 25 de nossa síntese doutrinária (os 28 Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo), onde a expressão “batismo com água” se repete 3 vezes. A preposição “com” denota o modo de batismo que se tem em vista, ou seja, aspersão ou efusão. Na Assembléia Geral das igrejas da UIECB de 2005 foi proposta a alteração da expressão “com água” para a expressão “nas águas” com o intuito de mudar o modo de batismo para imersão. A proposta não passou.
Nossa declaração de fé mais antiga (The Savoy Declaration), tratando sobre o modo de batismo, diz: “Não é necessário imergir a pessoa na água, mas o batismo é corretamente administrado por efusão ou aspersão da água sobre o candidato” (Cap. 29, Art. 3 – tradução minha).
Por fim, temos uma palavra do Pr. Manoel da Silveira Porto Filho expondo alguns princípios congregacionalistas. Ele diz que “as igrejas congregacionais da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil, embora reconheçam a validade do batismo por imersão e por efusão, e recebam por transferência membros de outra igreja assim batizados, praticam, por motivo de ordem, a forma de batismo por aspersão” (Congregacionalismo brasileiro, 1997, p. 32 – grifo meu).
Portanto, as igrejas da UIECB podem receber membros de outras igrejas que tenham sido batizados por quaisquer dos três modos de batismo. No entanto, devem praticar somente a aspersão. Se há alguma igreja da União praticando o batismo por imersão, tal igreja está transgredindo nossa constituição e, portanto, passível de advertência.
Segundo, quanto às bases bíblicas que autenticam o batismo por aspersão.
Bem, colocando a questão de maneira negativa, a pergunta poderia ser feita da seguinte maneira: somente o batismo por imersão é biblicamente legitimado? A maioria dos batistas responderia: sim! (até com certo entusiasmo e paixão). No entanto, vejamos.
O mais importante argumento dos batistas para a imersão é o significado atribuído aos verbos ba,ptw e bapti,zw, como se sempre significassem imersão.
Esta afirmação é falsa in toto. Na verdade, este é um sentido absoluto e exclusivista dado por eles. A maioria dos léxicos reconhece que os vocábulos podem significar: “lavar”, “derramar sobre”, “limpar”, “tingir”, “imersão parcial”, “imersão total”, “aspersão”, “efusão”, etc. (como exemplo, confira Greek and English Lexicon of The New Testament, de Edward Robinson e Léxico do N. T. Grego/Português de Gingrich e Danker). Você pode encontrar uma excelente lista de exemplos bíblicos onde estes vocábulos são usados sem o significado de imersão total em Hodge (Teologia Sistemática, pp. 1410ss). Quero destacar apenas alguns:
Em Daniel 4.33 lemos que o corpo de Nabucodonosor “foi molhado (batizado, evba,fh, LXX, v. 30) com orvalho do céu”. Aqui a idéia de imersão é excluída totalmente.
Em Lv 14.6 lemos: “Tomará a ave viva, e o pau de cedro, e o estofo carmesim, e o hissopo e os molhará (ba,yei) no sangue da ave que foi imolada sobre as águas correntes”. A não ser que seja uma ave muito grande e gorda é impossível imergir tudo isso no sangue de uma única ave.
O povo foi batizado em Moisés na nuvem e no mar (1 Co 10.2). Como, se o povo passou a pé enxuto pelo mar e a nuvem mencionada refere-se à coluna de nuvem diurna e de fogo noturna que os guiava?
Nós fomos batizados pelo Espírito Santo (At 1.5; 2.3, 16-17; 10.44). Estamos imersos no Espírito? Ou o Espírito está imerso em nós? Esta idéia parece até bizarra.
Am Atos 2.41 lemos que três mil pessoas foram batizadas em um só dia em Jerusalém, na festa do Pentecoste, em junho; e em Atos 4.4 mais cinco mil homens receberam o mesmo rito. Neste período do ano há escassez de água em Jerusalém e nenhuma corrente de água em suas proximidades. O abastecimento de água vinha de cisternas e reservatórios públicos. Não é possível que houvesse água suficiente para imergir mais de oito mil pessoas nessas fontes. Parece que os apóstolos eram congregacionais.
Depois, as verdades do Evangelho e seus benefícios são universais – dirigem-se a todas as etnias. O fato é que a prática imersionista restringe injustificavelmente o número daqueles que podem ser batizados. Por exemplo, como batizar um enfermo que deseja o batismo e, no entanto, não pode levantar-se de seu leito? Como batizar por imersão os moradores da Groelândia? Eles seriam mortos naquelas águas gélidas. E os moradores de desertos? O batismo foi ordenado a todos. Não é possível que alguns sejam privados da ordenança de Cristo por conta de determinadas circunstâncias.
É importante lembrar que o batismo representa a obra do Espírito Santo. Na Bíblia há três símbolos para o Espírito Santo: o óleo, a água e o fogo. “De que modo estes símbolos eram aplicados? O óleo era derramado sobre a cabeça. A água, durante toda a dispensação judaica, era aspergida ou derramada, e o fogo desceu sobre a cabeça dos crentes” (J. B. Green).
“À luz de tudo isso, é evidente que a verdade simbolizada no batismo [não somente de morte e ressurreição em Jesus, mas também e, quiçá mais forte ainda, de purificação] pode ser representada pela imersão, pela efusão ou pela aspersão; porém a ordenança é mais significativa e mais conforme à Escritura quando aplicada a efusão ou aspersão” (Hodge, Sistemática, p. 1419).
Espero ter ajudado.
No amor de Cristo.
Última edição por Pr. Diego dy Carlos dia Sab Ago 02, 2008 6:04 pm, editado 2 vezes

Pr. Diego dy Carlos- Número de Mensagens: 3
Idade: 25
Localização: Boa Viagem-CE
Data de inscrição: 28/07/2008

Afresco das Catacumbas de Roma
[img]
[/img]
Este afresco é da catacumba de São Marcelino e São Pedro em Roma. Sua datação não é muito precisa, mas muito provalvemente pertence ao III século.
Temos aí uma representação antiga de um batismo por aspersão. Isso não impressiona tanto se levarmos em consideração que os judeus já praticavam batismos por aspersão desde a antiga dispensasão.
[/img]Este afresco é da catacumba de São Marcelino e São Pedro em Roma. Sua datação não é muito precisa, mas muito provalvemente pertence ao III século.
Temos aí uma representação antiga de um batismo por aspersão. Isso não impressiona tanto se levarmos em consideração que os judeus já praticavam batismos por aspersão desde a antiga dispensasão.

Pr. Diego dy Carlos- Número de Mensagens: 3
Idade: 25
Localização: Boa Viagem-CE
Data de inscrição: 28/07/2008

Re: Batismo na Igreja Congregacional
Ótima resposta!!! 

Pr Lyncoln- Admin
- Número de Mensagens: 5
Idade: 29
Data de inscrição: 22/07/2008

Re: Batismo na Igreja Congregacional
Prezado Pastor Diego
Obrigado pela rica resposta, foi de grande proveito!
Que Deus te abençoe continuamente!
Obrigado pela rica resposta, foi de grande proveito!
Que Deus te abençoe continuamente!
Victor Melo- Número de Mensagens: 4
Idade: 22
Data de inscrição: 28/07/2008

Re: Batismo na Igreja Congregacional
Victor Melo escreveu:Graça e Paz
Primeiramente quero parabenizá-lo por esta iniciativa! É muito oportuna pois revela um canal em que os cristãos podem tirar suas dúvidas e crescer no conhecimento da palavra de Deus! Que Deus te abençoe!
Gostaria saber qual o porquê da Igreja Congregacional batizar via aspersão, qual a base bíblica para este procedimento? O que há no estatuto das Igrejas Congregacionais sobre esse assunto? Há alguma obrigatoriedade para o batismo ser via aspersão? Ou proibição do batismo via imersão? Há Igrejas Congregacionais que batizam via imersão?
Abraço e que Deus te abençoe ricamente.
Atenciosamente,
Victor Melo.
DE uma olhada neste link
http://www.4shared.com/file/115937571/9ef9ec71/Asperso.html
Edson Fernandes- Número de Mensagens: 2
Idade: 41
Data de inscrição: 16/08/2009
Re: Batismo na Igreja Congregacional
Pr. Diego dy Carlos escreveu:Tentarei responder suas perguntas em dois momentos. Primeiro, sobre o modo de batismo praticado pelas igrejas congregacionais (UIECB). Depois, sobre as bases bíblicas que autenticam sua prática (aspersão).
Antes, porém, quero apenas deixar claro que este é o tipo de discussão (modo de batismo) que geralmente não me preocupa. Pois considero o modo de batismo de importância relativa. Não penso que a validade da ordenança se estabeleça pela quantidade de água ou o modo de sua administração. Hodge (De la insignia cristiana, 2001, pp. 9-10) nos leva a comparar o batismo com a outra ordenança de Cristo, a Ceia do Senhor. Qual o modo correto de se administrar a Ceia? Ela deve ser recebida em pé ou sentado, em círculo ou em fila? Deve-se administrá-la ao mesmo tempo em que se celebra a festa do amor, na casa de um enfermo, no hospital, no templo ou em casas? Qual a quantidade de vinho e de pão? Parece que não há um modo fixo (ou o único correto) para esta ordenança. Então, por que haveria um modo fixo ou único correto para o batismo? Devemos ainda lembrar que nos primórdios da igreja cristã a Ceia do Senhor era realizada durante um banquete (Festa do Amor). Era uma Ceia completa, a principal do dia. Não significava tomar um tiquinho de pão e um pouco de vinho. No entanto, isso é tudo o que fazemos.
Além do mais, há outra coisa que me intriga. Como administrar a Ceia do Senhor em alguns povos indígenas para os quais os elementos pão e vinho nada significam? (a maioria nunca viu pão ou vinho!) Seria razoável utilizar uma espécie de tapioca e um tipo de chá que para eles tenham o mesmo significado que o pão e o vinho possuem para nós? O valor do ato está nos elementos utilizados na simbologia ou naquilo que representa? Parece que temos um problema missiológico aqui.
O que quero dizer é que a forma nada é, mas o seu significado.
Entretanto, quando irmãos queridos (porém, equivocados) fazem do modo de batismo um motivo de separação eclesiástica e/ou desacreditam a aspersão como um modo válido, então, me animo a discutir.
Primeiro, quanto à prática aspersionista das igrejas congregacionais (UIECB).
O artigo 6º do capítulo 2 de nossa Constituição, que reza sobre os deveres da igreja associada, traz o seguinte texto no inciso V: “aceitar como ordenanças bíblicas o batismo com águas...” (grifo meu). No inciso seguinte lemos que se deve “administrar o batismo por aspersão em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, nas pessoas que declararem crer em nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (grifo meu). O texto faz eco aos artigos 24 e 25 de nossa síntese doutrinária (os 28 Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo), onde a expressão “batismo com água” se repete 3 vezes. A preposição “com” denota o modo de batismo que se tem em vista, ou seja, aspersão ou efusão. Na Assembléia Geral das igrejas da UIECB de 2005 foi proposta a alteração da expressão “com água” para a expressão “nas águas” com o intuito de mudar o modo de batismo para imersão. A proposta não passou.
Nossa declaração de fé mais antiga (The Savoy Declaration), tratando sobre o modo de batismo, diz: “Não é necessário imergir a pessoa na água, mas o batismo é corretamente administrado por efusão ou aspersão da água sobre o candidato” (Cap. 29, Art. 3 – tradução minha).
Por fim, temos uma palavra do Pr. Manoel da Silveira Porto Filho expondo alguns princípios congregacionalistas. Ele diz que “as igrejas congregacionais da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil, embora reconheçam a validade do batismo por imersão e por efusão, e recebam por transferência membros de outra igreja assim batizados, praticam, por motivo de ordem, a forma de batismo por aspersão” (Congregacionalismo brasileiro, 1997, p. 32 – grifo meu).
Portanto, as igrejas da UIECB podem receber membros de outras igrejas que tenham sido batizados por quaisquer dos três modos de batismo. No entanto, devem praticar somente a aspersão. Se há alguma igreja da União praticando o batismo por imersão, tal igreja está transgredindo nossa constituição e, portanto, passível de advertência.
Segundo, quanto às bases bíblicas que autenticam o batismo por aspersão.
Bem, colocando a questão de maneira negativa, a pergunta poderia ser feita da seguinte maneira: somente o batismo por imersão é biblicamente legitimado? A maioria dos batistas responderia: sim! (até com certo entusiasmo e paixão). No entanto, vejamos.
O mais importante argumento dos batistas para a imersão é o significado atribuído aos verbos ba,ptw e bapti,zw, como se sempre significassem imersão.
Esta afirmação é falsa in toto. Na verdade, este é um sentido absoluto e exclusivista dado por eles. A maioria dos léxicos reconhece que os vocábulos podem significar: “lavar”, “derramar sobre”, “limpar”, “tingir”, “imersão parcial”, “imersão total”, “aspersão”, “efusão”, etc. (como exemplo, confira Greek and English Lexicon of The New Testament, de Edward Robinson e Léxico do N. T. Grego/Português de Gingrich e Danker). Você pode encontrar uma excelente lista de exemplos bíblicos onde estes vocábulos são usados sem o significado de imersão total em Hodge (Teologia Sistemática, pp. 1410ss). Quero destacar apenas alguns:
Em Daniel 4.33 lemos que o corpo de Nabucodonosor “foi molhado (batizado, evba,fh, LXX, v. 30) com orvalho do céu”. Aqui a idéia de imersão é excluída totalmente.
Em Lv 14.6 lemos: “Tomará a ave viva, e o pau de cedro, e o estofo carmesim, e o hissopo e os molhará (ba,yei) no sangue da ave que foi imolada sobre as águas correntes”. A não ser que seja uma ave muito grande e gorda é impossível imergir tudo isso no sangue de uma única ave.
O povo foi batizado em Moisés na nuvem e no mar (1 Co 10.2). Como, se o povo passou a pé enxuto pelo mar e a nuvem mencionada refere-se à coluna de nuvem diurna e de fogo noturna que os guiava?
Nós fomos batizados pelo Espírito Santo (At 1.5; 2.3, 16-17; 10.44). Estamos imersos no Espírito? Ou o Espírito está imerso em nós? Esta idéia parece até bizarra.
Am Atos 2.41 lemos que três mil pessoas foram batizadas em um só dia em Jerusalém, na festa do Pentecoste, em junho; e em Atos 4.4 mais cinco mil homens receberam o mesmo rito. Neste período do ano há escassez de água em Jerusalém e nenhuma corrente de água em suas proximidades. O abastecimento de água vinha de cisternas e reservatórios públicos. Não é possível que houvesse água suficiente para imergir mais de oito mil pessoas nessas fontes. Parece que os apóstolos eram congregacionais.
Depois, as verdades do Evangelho e seus benefícios são universais – dirigem-se a todas as etnias. O fato é que a prática imersionista restringe injustificavelmente o número daqueles que podem ser batizados. Por exemplo, como batizar um enfermo que deseja o batismo e, no entanto, não pode levantar-se de seu leito? Como batizar por imersão os moradores da Groelândia? Eles seriam mortos naquelas águas gélidas. E os moradores de desertos? O batismo foi ordenado a todos. Não é possível que alguns sejam privados da ordenança de Cristo por conta de determinadas circunstâncias.
É importante lembrar que o batismo representa a obra do Espírito Santo. Na Bíblia há três símbolos para o Espírito Santo: o óleo, a água e o fogo. “De que modo estes símbolos eram aplicados? O óleo era derramado sobre a cabeça. A água, durante toda a dispensação judaica, era aspergida ou derramada, e o fogo desceu sobre a cabeça dos crentes” (J. B. Green).
“À luz de tudo isso, é evidente que a verdade simbolizada no batismo [não somente de morte e ressurreição em Jesus, mas também e, quiçá mais forte ainda, de purificação] pode ser representada pela imersão, pela efusão ou pela aspersão; porém a ordenança é mais significativa e mais conforme à Escritura quando aplicada a efusão ou aspersão” (Hodge, Sistemática, p. 1419).
Espero ter ajudado.
No amor de Cristo.
De uma olhada neste link
http://www.4shared.com/file/115937571/9ef9ec71/Asperso.html
Edson Fernandes- Número de Mensagens: 2
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